CULTURA E DESENVOLVIMENTO EM TEMPO DE IMPERIALISMO CULTURAL: O QUE FAZER? UM OLHAR PARA A PROPOSTA ANTROPOFÁGICA

  • Autor
  • Fernando Oliveira
  • Resumo
  • Quando a sociedade assiste ao retorno do Imperialismo - do Imperialismo Cultural - à geopolítica mundial -, com a ascensão da extrema-direita no mundo e sobretudo nos EUA, vimos emergir novos ataques às democracias e à soberania que fatalmente nos remetem às práticas históricas dos regimes nazifascistas da primeira metade do século XX. Nesse contexto retomamos a pergunta clássica de Lênin (2021): O que fazer? Historicamente, o imperialismo apresenta-se para Lenin como a etapa superior do capitalismo na qual desenvolve-se novas formas de dominação do capital financeiro, controladas pelos rentistas e as oligarquias financeiras. Mas Arendt (1989, 1988) dá um passo à frente ao demonstrar que o imperialismo não foi somente econômico ou militar mas também cultural e simbólico. O imperialismo cultural reinterpretra o mundo em seus próprios termos, na tentativa de reescrever a história impondo seus padrões e valores, definindo quem é atrasado, primitivo, desenvolvido ou subdesenvolvido. As práticas da banalidade do mal florescem onde imperialismo cultural enfraquece as culturas locais e reduz a diversidade cultural, transformando a dominação em normalidade. Segundo Oliveira (2023) as imagens simbólicas também exercem papel fundamental na construção das narrativas da mediação e na sustentação das ideologias hegemônicas e invisibilizadoras das culturas dos povos originarios. Vamos repensar o papel da Cultura em sua relação com o Desenvolvimento  a partir das contribuições de Celso Furtado (1982, 1978), Milton Santos (1984;1985) e a saida antropofágica proposta por Oswald de Andrade (2011). Cultura e desenvolvimento estão imbricados como campo de lutas e resistências às ideologias segregadoras da diversidade cultural. É preciso descortinar o potencial criativo da sociedade desatando as energias da criatividade e da inventividade para a superação da passividade e do imobilismo nas decisões, traço característico da dependência cultural e tecnológica, tal como vem ocorrendo no capitalismo de plataformas dominado pelas big tech´s e pelas IA´s em nossos dias. Agora o espaço de circulação do capital se converte em circuitos de livre circulação da mercadoria- informação, dados e sobretudo das narrativas neoimperialista e hegemônicas que ditam as regras dos processos de comunicação da sociedade, controlando as formas de mediação e determinando em grande medida o imaginário das culturas, culminando na redução cognitiva da mentalidade social coletiva e individual. Qual a natureza das políticas e das práticas imperialistas que ascendem e impulsionam as ideologias sectárias da extrema direita? Como tais ideologias impactam a percepção do espaço e o uso do território como lugar de resistência e produção de estratégias de autonomias para a permanência das culturas? Segundo SANTOS (1984;1985; 1988)) não há transformação nem formação sem consciência do espaço e sobretudo do espaço capitalista, se queremos analisar criticamente o lugar e o papel da cultura no desenvolvimento. Somos em todos os tempos e espaços sociedades complexas e culturalmente abertas, fruto da miscigenação cultural que trazemos como marca de nascença e evoluimos em nossa semiodiversidade cultural através do canibalismo cultural antropofágico.

  • Palavras-chave
  • Cultura; Desenvolvimento cultural; Imperialismo cultural; Diversidade cultural
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 4 - Políticas Culturais e Economia Política da Cultura
Voltar Download
  • GT 1 - Políticas de Comunicação
  • GT 2 - Comunicação popular, alternativa e comunitária
  • GT 3 - Indústrias Midiáticas
  • GT 4 - Políticas Culturais e Economia Política da Cultura
  • GT 5 - Economia Política do Jornalismo
  • GT 6 - Teoria e Epistemologia da Economia Política da Comunicação
  • GT 7 - Estudos Críticos em Ciência da Informação
  • GT 8 - Estudos Críticos sobre identidade, gênero e raça
  • Sessões Especiais em "Comunicação e Extensão"

Comissão Organizadora

Sociedade EPTICC

Comissão Científica

Ana Beatriz Lemos da Costa (TCU/UnB)

Anderson David Gomes dos Santos (UFAL)

Antônio José Lopes Alves (UFMG)

Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG)

Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho (UFS)

César Ricardo Siqueira Bolaño (UFS)

Débora Ferreira de Oliveira (UFMG)

Edvaldo Carvalho Alves (UFPB)

Fernando José Reis de Oliveira (UESC)

Helena Martins do Rêgo Barreto (UFC)

Janaina do Rozário Diniz (UEMG/UFMG)

Janaíne Sibelle Freires Aires (UFRJ)

Kaio Lucas da Silva Rosa (UFMG)

Lorena Tavares de Paula (UFMG)

Manoel Dourado Bastos (UEL)

Mardochée Ogecime (UFOP/UFMG)

Marília de Abreu Martins de Paiva (UFMG)

Rafaela Martins de Souza (Universidade de Coimbra)

Rozinaldo Antonio Miani (UEL)

Rodrigo Moreno Marques (UFMG)

Ruy Sardinha Lopes (USP)

Sophia de Aguiar Vieira (UFMG)

Verlane Aragão Santos (UFS)